Globo escala repórter evangélica para viagem de Bolsonaro

A cobertura do Jornal Nacional do início da viagem de Jair Bolsonaro ao Japão coube a uma repórter de Brasília, Delis Ortiz, e não ao correspondente da emissora naquele País, Carlos Gil.

Delis recebeu tratamento especial do presidente. Ele foi mais atencioso do que o habitual quando está diante de um microfone da emissora líder em audiência no Brasil.

A jornalista até caminhou ao lado de Bolsonaro durante um passeio e conseguiu respostas para todas as perguntas.

Na Globo desde 1991, Ortiz gerou manchetes nos últimos meses. Membro da Igreja Presbiteriana de Brasília, ela presenteou o presidente – apoiado pela maioria dos evangélicos – com uma Bíblia em café da manhã a jornalistas, em junho.

Foi uma atitude pessoal. Os colegas de imprensa não participaram da iniciativa e a Globo declarou não ter nada a ver com o gesto de sua repórter.

Em abril, Delis Ortiz havia sido transferida da cobertura do Palácio do Planalto para os assuntos do Congresso Nacional. Motivo: uma de suas filhas fora indicada a cargo técnico na Secretaria-Geral da Presidência.

O remanejamento ocorreu para evitar possíveis conflitos de interesses de acordo com os princípios editoriais da Globo. Dois dias depois, com a nomeação cancelada, a jornalista voltou ao posto original.

Para a emissora, ter uma repórter com acesso privilegiado ao presidente facilita a cobertura diária exibida nos telejornais. Serve ainda como mediação para melhorar o relacionamento espinhoso entre o Executivo e o canal.

Jair Bolsonaro vê o Grupo Globo como inimigo. Disse sentir-se perseguido e prejudicado pelos veículos de comunicação do clã Marinho.

Desde o início do mandato, o presidente distribui afagos aos donos da RecordTV, do SBT e da RedeTV!, emissoras que se colocam como aliadas – inclusive editorialmente – do Planalto. À Globo, sobram críticas.

22/10/2019

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